Anchors

Durante alguns meses, eu estive vasculhando as caixas empoeiradas de coisas que estavam guardadas, aquelas que fazem tanto tempo que já não me lembrava mais, e aquelas que faziam tão pouco tempo, que ainda estava aberta aquela cicatriz exatamente como a que vejo em minha pele. E ao abrir essa pequena caixa de papelão empoeirada dentro do meu coração, me fez sentir o quanto as coisas mudaram, e o quanto eu sou preso ao meu passado, como aquelas âncoras nas quais costumávamos falar quando eu tinha minha velha banda. Essas âncoras não me deixam sair, à procura de um novo horizonte, não é algo que eu queira, mas sofrer sozinho por algo que não voltará, é realmente uma coisa difícil de se fazer, e fica ainda mais complicado, quando se está longe das pessoas, coisas e objetos que você costumava ver desde que se entende por um ser humano, e você ainda poderia estar lá. Tenho minha natureza de sempre procurar um jeito, mesmo que seja impossível, meus amigos se cansam, pois eu nunca desisto quando preciso mesmo, mas dessa vez, tenho aquela separação, do que eu sinto e quero, com o que é certo e estou precisando. Ao reabrir as caixas, no sentido figurativo, também me levou a vasculhar os cantos reais, encontrei o meu velho perfume, minhas velhas fotos, as cartas e tudo que me lembra o lugar de onde eu vim, e de onde sei que pertenço. Talvez eu esteja fazendo tudo errado, mas quando estou com aquelas novas pessoas, não me sinto em casa, pode ser que eles não sejam tão ruins como meus olhos cheios de dor vêem, mas meu coração não aceita que aquele lugar é meu novo lar, e eu não quero aceitar. Acredito que não seja somente mais uma fase difícil, nem sempre é fácil descobrir algo novo, mas da noite pro dia, minha vida não mudou significativamente, mas totalmente, nem sei mais quem eu sou, em que acredito, só queria acordar e dar de frente com o que eu perdi sem sentindo nem razão alguma, queria olhar ao espelho e reconhecer aquele rosto, queria que aqueles olhos cheios de lágrimas fossem causados por algo banal como um romance mal resolvido, queria que o corte no meu pulso fosse simples drama. Mas não dá pra fingir que isso passa, pois nunca irá passar, estou certo disso, gostaria que tudo se repetisse, mas não vai, queria não chorar, mas meu coração frio, volta a ser como era antes quando relembro um pequeno detalhe, uma risada, uma palhaçada, qualquer babaquisse que eu costumava fazer que levava as pessoas a pensarem que eu era intelectualmente inferior, ou como mesmo diziam, um idiota. Sinto falta, e o perfume, as cartas e os versos não me ajudam nem um pouco, rever não só as fotos que tiramos enquanto viviamos um bom momento, mas as que estavam em seus perfis de redes sociais, e na agenda telefonica, rever sentimentos antigos, e ressentí-los (que por acaso são minusculos) só trazem a nostalgia, um dia hei de ter a vida que eu perdi de volta, ou descobrir quem realmente sou

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Autor: Alex Machado

Eu fecho os olhos só pra te visitar - Eu sonho só pra ter paz.

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