pre-bos playlist: depression, anxiety, fomo (lo-fi remix)

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I just found out I have FOMO
And it’s been killing me

My doctor says I’ve got BPD
I swear it’s only ADHD

But honestly, it’s driving me mad
Sometimes I wish I could disappear

People say I should test for ASD
I’m pretty sure I’m just bored

Nowadays everyone’s got social anxiety
I’ve felt this way since I was a kid

I keep telling myself it’s just a phase
Watching this chapter never end
We pretend we’re gonna be okay
It’s been this way for over a decade

I wake up every day with the fear
That my depression’s in control
I go to bed every night
Hoping I won’t have to face it all again

I just found out I have FOMO
My doctor says it’s BPD
I still think it’s ADHD
I’d swear it’s just the drugs

I never want to be alone
I can’t stand my own company

(11/06/2026)

Helena’s Funeral (Wintertime Has Passed: Time to Rest)

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Passei tanto tempo exorcizando meus fantasmas
Que esqueci de lhes oferecer uma xícara de chá
Quem sabe um lugar pra se acomodarem

Passei tanto tempo contemplando o mais puro nada
Que por décadas aceitei que era tudo o que havia
Às vezes creio não fazer jus aos meus sentidos

Não, eu não peço concordância.
E tampouco aguardo compreensão.

Não há aqui mais força pra explicações
Sempre esteve imutavelmente cravado
Explicitado nas entrelinhas,
Na opacidade do meu olhar.

Declaro ciência das mãos estendidas
E das tentativas de ofertas de abrigo
Desconheço remédio que cure o veneno
Não existe conserto pra alma danificada

São muitos temporais
Que permanecem uivando
Mesmo com as janelas seladas

Vivo a carregar o peso do meu mundo
E de tudo o que posso deixar para trás

Nunca foram os cigarros, nem os comprimidos
Não era a bagunça no quarto, ou sequer o tédio

Minha função se limita à permanência
Mesmo quando já não me reconheço no espelho?
Mesmo enxergando toda partida
Da sacada do meu sexto andar?

Hoje não procuro respostas
Nem alguém pra me salvar

Não tentem me convencer
Não há energia pra voltar

O inverno se despede

E eu já não preciso esconder
Que faz arder minha pele o frio

Já não há mais razão pra fingir
Que não enxergo, de olhos fechados, o ciclo

Se existe a paz
Ela nasce daqui
Do segundo em que desistimos de negociar
Com tudo aquilo que sabemos ser inevitável

Então quando chegar a hora
Estarei de braços abertos
Pra passar pela porta,
e me acomodar onde há paz

Quando eu escolher a hora certa
estarei pronto pra partir daqui
para prosseguir sem dor
Desconhecer a guerra

Impulso é fator que inexiste aqui
Foram palavras e pensamentos
calculados, trabalhados,
desenhados com cuidado

Não há rasura.
Não tem rascunho.
Sem espaço pra desfazer.

Não levem a mal.
Quanto o sino tocar.

(06/06/2026)

Helena II (Wintertime Has Come: Weather Could Never Be As Cold As I am)

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Depois que absorvi a inevitabilidade
Continuei a descer a ladeira
Dia após dia

Não porque tivesse mudado de ideia
Mas porque a estrada continuava ali
Se estendendo além da curva
Como sempre fez

Ainda escalo montanhas
Mesmo conhecendo o preço da subida

Os calos,
A astenia,
O peso nos ombros

Tudo chega na hora marcada
Mas dessa vez, eu escolho a hora
Pro alarme tocar

Quando eu atinjo o topo,
Não comemoro a vista do céu
Pois sei quanto vai doer pra voltar

E sempre se dói.

Nada fica,
Nada é eterno,
Nem mesmo a morte.

Ciente das tantas vezes que o freio falhará
Cheguei a me esconder no medo de confiar
Que existe uma força capaz de me parar

Confiei tanto que havia um destino só meu
Mas eu nem sabia aonde queria chegar

O que sei é que só existe uma saída pra gente
Fazemos todo esforço pra ignorar.

Mas já conheço esse roteiro

Trocam-se os cenários,
Trocam-se os nomes,
Trocam-se as dores

E a história insiste em continuar

Sempre levanto tendo o mesmo pesadelo,
Desejando nem ver esse novo dia raiar
Bebo insegurança como se fosse veneno
Talvez seja porque nunca fui bom da cabeça,
Mas já não quero que ninguém tente me salvar

A gente se machuca, se entrega
Luta e faz igual ao começo
Esperando algo novo pro final
Convencendo que esse era o plano

Por que continuo a subir
Se depois dali só tem chão?

Por que não poupar o esforço
E aceitar que o fundo é meu lugar?

Sempre que eu chego no topo
Eu lembro que não é meu lar.

Será que é assim tão errado
Assumir o impulso de saltar?

Se todo destino é sempre tão certo,
E o que machuca é o caminho até lá
Por que nos prendemos vendados ao hábito?

De subir, de descer
De cansar, de não desprender do receio de cair?
De fingir que certa hora vai ficar tudo bem?
E por mais quanto tempo eu deveria acreditar?

Revivemos só pra partirmos de novo depois
E continuamos vivendo,
Sofrendo e esquecendo,
Só pra morrer devagar.

Será que isso nunca esteve nas minhas mãos?

Pra quem foi feito o abismo?
Por que existe a escuridão?

Eu não tenho mais medo de contemplar
Então que me olhe no fundo do olho
E enxergue a minha alma exposta

Saiba que estou pronto quando vier me buscar
Quem sabe eu mesmo irei ao seu encontro
Quando a minha voz acabar?

(02/06/2026)

The Last Dance of Helena (Post-Carnival Parade: Wintertime Has Come)

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Noite passada recebi uma visita
Depois de anos tentando me esconder,
Dessa relutância pra evitar olhar nos olhos,
De tapar os ouvidos pra sua voz aveludada,
Ela veio sem ter sido convidada.

Ela chegou no fim da festa,
Quando não tinha ficado ninguém,
Até os créditos já tinham desaparecido.

Senti medo por tanto tempo
da resposta que já estava escrita
bem guardada, em envelope selado.
Eu só não queria abrir, mas já estava ali
E eu sei bem, pois fui eu quem redigi
Cada palavra calculadamente
Só que eu procurei esquecer
Elas têm um sabor agridoce
Tão reconfortante quanto familiar

Por muito tempo dissociei, enrolei, evitei
Mas ela sempre esteve logo ali
A assinatura era minha própria
E isso sempre será absolutamente imutável

Depois de tanto navegar contra a maré
Resolvi abraçar o que eu mantinha sob o tapete
Escondido bem no meio da sala de visitas
Enquanto esperava alguém vir me socorrer

Então eu entendi que era eu
As vozes, as dores, os ruídos
Eu tive a coragem de pular.

Perdi o medo de contemplar o abismo
Eu mesmo resolvi encarar.
Ele que se assuste com meu olhar.

Engajei-me contra,
Cheguei a me enganar
Mas eu sabia como seria
Afinal, eu mesmo escrevi o final

Agora eu sei o que eu sempre soube
Sei o que não devo impedir
Então que venha e me abrace de preto
Me dissolva e arraste por inteiro,
Contanto que eu decida os termos.

Se agora eu sei o que fazer
Me resta preparar o terreno.

Eu não achei que estaria tão pronto
Esperava mais drama, um último sinal
Mas já me trajei e ensaiei
Pra quando a minha valsa tocar
Pra quando eu começar a dançar

Agora que eu já decidi
Vou, sem medo
Sem pesar
Vai passar,
Eu prometo.

Eu escolhi,
Eu mapeei,
Eu vou seguir.

Só me falta resolver pontas soltas
Pra finalmente poder me soltar

(28/05/2026)

03:13 (FOMO)

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A neblina ofusca o brilho do poste
Que passa pela janela
como o único ponto de luz

De hora em hora ouço barulho de motor
Que reverbera da sacada
Até ficar tão distante

Eu deito e fecho os olhos
Eu viro, reviro, confiro o relógio
Eu calculo os minutos até o alarme soar

Acendo o celular, busco por uma mensagem
Qualquer que fosse,
Pra vir me salvar

Acendo o celular, quem sabe não deixei passar
Notícia qualquer
Que passou batido

Mas esse capítulo eu já li
Eu ainda não aprendi a lidar
Mas sei como vai acabar
(Ele vai acabar?)

Nenhum cupom acende a tela
Nada, o absoluto silêncio,
Ninguém vai te chamar
Não é hora pra pensar

O frio eu não sei de onde vem
do deserto lá de fora
ou se exala do meu corpo

Mas as vozes não se calam
A noite o ruído parece mais alto
Essa noite até meu travesseiro
Repete que isso não vai embora

O que me sobra é tentar prever
O que vem primeiro…
O próximo barulho na avenida
Ou o meu despertador?

(22/05/2026)

Fora do Tom

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Eu atravesso a rua sem olhar pros lados
compro minha passagem só de ida
Pego carona com o primeiro estranho
Eu paro de usar preto até eu morrer

Se me chamar agora
Eu brigo com o mundo
Me afasto dos amigos
Reservo meu tempo só pra você

Se me mandar a palavra certa
Eu até paro de cantar
Limpo todos os rastros
Faço do inferno o paraíso pra atender

Eu tomo meus comprimidos sem olhar
Aceito qualquer brasa que tenha sido acesa
Passo semanas sem vontade de comer
Subo no parapeito do vigésimo sexto andar

Mas se você me chamar
Eu paro com o drama
Eu arrumo a minha cama
Me arrumo pra te receber

Se você souber pedir
Eu largo a carreira
Eu te levo pra praia
Pra ver o mar fundir com o sol

(21/05/2026)

Ethos

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Eu acredito que te conheci duas vezes
na primeira, não soube quem você era
lembro da sua tatuagem que me marcou
anos atrás, por mero fetiche do acaso

Mas eu te conheci duas vezes
na outra vez, você pôde ver quem eu sou
e eu pude ser, mesmo que eu nem lembrasse como
eu me tornei alguém melhor,
aprendi a palavra “paciência”

Eu esperava estar preparado pra quando acontecesse
não imaginei que seria assim,
mesmo quando um pedaço sempre quis
ele queria porque fantasiava demais,
fechava os olhos por ter medo do fim

Eu ensaiei formas de te falar,
mas sempre tive tanto a perder
que cogitei manter tudo igual
com a mesma dinâmica
com aquela conexão perfeita

Eu me encaixei na forma como me acolheu
me abraçou sem precisar me tocar
me encontrou quando eu estava mais perdido.

E eu, vez ou outra, buscava ir além
mas sem invadir seu espaço
sem te causar desconforto

Eu sei que desejei profundamente que isso acontecesse
no meu lado mais emocional, no meu mundo da fantasia
lá você sempre me acompanhou
mesmo quando o mundo julgava
Ah, eu desejei tanto mudar a dinâmica

Eu procurei tanto desacreditar
desencanar, entender que era parte do processo
eu ignorei, me impus limites
eu temia que pudesse ser o fim
definitivo. C’est fini.

(14/05/2026)

A Maldição das Baratas

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A arte é sobrevida
daqueles sem vida.

Objetivos, metas e rotas.
Rupturas, obstáculos e inimizades.

O amor que havia ali
não existe mais.

Não existe procura
ou algo a encontrar.

Só o piloto automático
jamais desativado.

O prazer é utopia
sem ninguém perceber.

O caminho não se perde.
O destino é que se torna turvo.

A gente esquece o que procura
e esquece que a saída
é uma só.

Somos criaturas odiosas,
repugnantes, monstruosas,
escondendo nossos próprios demônios.

Diagnosticamos defeitos no cérebro
e remédios pra almas perdidas.

Hipnose, conformismo, aceitação.
Desistência, indiferença, exaustão.

Assim se pinta a maldição
de uma geração.

Intensa pra quem consegue, distante, ver.
Um fardo pra quem é incapaz
de evitar sentir.

Para quem faz da arte sua respiração,
que a ela se apegue
e a cuide bem.

A arte é o pequeno feixe de luz
em uma prisão fria e escura.

Demos graças à resistência da arte
pra nos manter entorpecidos.

A arte é sobrevida
mesmo sem nada pra viver.

(07/05/2026)

Eu Não Sei Dizer Não

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Quando pedem uma mão
Entrego logo o coração
Não peço recibo e nem troco
É que eu não sei dizer não.

Deixo largado um pedaço de mim
Em todo lugar que eu piso
Eu sinto, calado
Nem mudo o semblante
Mas minto, e engano
A mim

Toda vez que pede socorro
Eu me adianto a te salvar
ainda que incendeie minha casa
É que eu não sei dizer não.

Se eu grito, não há voz
Se eu ligo, sem sinal
Quero dizer sem ter que falar
Quem alenta o Pagliacci
Enquanto a plateia ri?

Mas se me chama, atendo
Se me pede, eu vou
Dou a cara a tapa, o tempo a perder
É que eu não sei dizer não.

(06/05/2026)

Oi, como vai você?

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Paulo, te conheci pelas telas
e foi fora delas que te vesti

marquei meu braço como o seu
senti seus desabafos
me ancorei na sua força

te vi chorar ao perder um ídolo
de forma brutal
lembro do que sentiu quando ele se foi
porque senti a mesma angústia

o que eu não podia prever:
anos depois, tantas pedras

apagaram sua história
te fizeram alvo

do cancelamento
do julgamento precoce
da manipulação
da desumanização de um símbolo

te descartaram antes de te ouvir

eu ainda estava ali

te vi quebrando
e tentando reparar cada estrago

te vi pedir ajuda
sem resposta

até que a notícia chegou
logo após o natal

não pude acreditar

você se foi

não resistiu ao sofrimento

sempre me vi em você
sempre fiz da sua força meu exemplo

mas hoje eu sinto medo

e evito ouvir a voz
que insiste

que não cala

que aponta meu destino
ao mesmo do seu

(23/04/2026)