Depois de duas semanas e meia sem dormir Eu percebi a minha culpa nessa história O carpete é sólido, mas eu sei o que tem abaixo Que eu enterrei, Que eu finjo que esqueci
Não adianta vestir a pele pro mundo lá fora Se não dá pra esconder o que há aqui dentro Não há máscaras ou filtros que vão esconder Que eu não mudei, Que a abstinência nunca vai passar
Então do alto do meu sexto andar Eu encaro firme a minha janela E me imagino fazendo bungee jump sem corda
Olho o ar-condicionado E imagino como seria o seu peso Caso caísse sobre a minha cabeça
Então eu me saboto cada vez mais Uso tanto você que é capaz de eu sofrer Uma overdose quando eu me dizia estar limpo E escondo de todos todas as recaídas É que você me enche de serotonina, Dopamina
Então eu bato a cara no muro E imagino a hemorragia Em formato de coração
Faço uma tatuagem sem tinta Com a seguinte pergunta: “O que eu tenho de errado?”
Eu não acredito em destino, Não deposito as fichas nas mãos do universo Tampouco deixo a energia do acaso girar os dados.
E quando seu carro colide com o meu Em uma cidade diferente Depois de eu ter me atrasado Pro show da banda que só a gente conhece E de dividirmos o restante do sorvete Que é nosso preferido Eu presumo que é só coincidência
Não, eu não acredito em destino Eu não fecho os olhos e atiro dardos Esperando acertar o ponto vermelho no centro
E quando a gente está no mesmo avião Quando ele está em queda livre Depois de eu ter perdido o primeiro vôo E eu vejo que nossas camisetas são iguais Enquanto o piloto se despede E as nossas máscaras são as únicas que não caem Eu aceito que é só estatística
Eu não acredito em destino Não tem nenhum sinal A gente escreve o livro Em tempo real
Como quando o seu nome aparece na minha mente Ou quando eu sei o que você sente, Sem precisar nem dizer Ou quando simultaneamente assistimos à mesma série É só porque saiu no catálogo do streaming.
Quando você acha que eu sou Muito sentimental Eu garanto que cê tá errada Eu sou racional Igualzinho a você.
Só pra não me deixar esquecer Que ela vem me buscar Às vezes sem avisar, Quase sempre eu posso sentir
Uma melodia tocando sem parar Em Si menor, com a agulha enferrujada Os bpm se aceleram conforme se aproxima E eu entro em negação
Eu selo todas as entradas, Escondo as chaves sob o tapete, Ainda assim, ela atravessa as paredes E dói demais quando a gente pensa que já foi E de repente ela está ali:
Sentada no meu sofá, Figurando meu programa preferido, No meio do meu livro, Até quando fecho os olhos pra não ver.
A frustração de retornar ao ponto inicial, A sensação do fracasso iminente Da repetição como White Bear O medo de não ter mais conserto
Isso é sempiterno Quando veremos o fim?
A luz só aparece pra aumentar o impacto quando ela vem A canção toca de novo e de novo Esse é o único disco por aqui
Acordei com o sol invadindo minha sacada Pra minha surpresa, o clarão não ardeu O vazio, minha mais fiel companhia, Cedeu o espaço pra você ocupar E fazer de mim seu abrigo
Diálogos reais trouxeram a calmaria Silenciaram-se as vozes da minha cabeça O que era estática agora sintoniza sua frequência Com clareza, sem interferência, sem fantasmas.
Meus braços, que antes expunham cicatrizes, Como um museu de todas as quedas que sofri Hoje são uma tela preta, pra quem sabe, um dia desses, Servir como seu ateliê, Um lugar pra você se encaixar, Que vá te trazer conforto E pintar nossa conexão.
Pela primeira vez, o vampiro se ausentou Espontaneamente, cedeu sua vez Pra que eu pudesse enxergar por novas lentes As mesmas que o tempo me trouxe Mas que foi você quem me provocou a usar
Eu sei que cedo ou tarde ele vai voltar, Mas me causa alívio saber que, Apesar de ser grande parte de mim, Não é tudo que eu sou
Eu já tinha as asas antes de saber, Mas foi sua voz que me tirou o medo de saltar
Eu não mais temo o abismo Ele foi tudo que eu conheci até aqui Você me mostrou as coordenadas pra sair
Não quero promessas, Não quero perfeição, Não espero que embarque sem hesitar, Nem que feche os olhos para me seguir.
Te convido para voarmos juntos, Sem destino certo, sem bandeiras ou rótulos Mergulhar entre as nuvens, ver as estrelas de perto Sem hora pra partir, sem decidir sobre voltar
Nós dois sabemos que a queda é certa Mas eu sei que a viagem vai valer mais a pena Se você quiser vir me acompanhar
Eu te pedi pra me levar ao país das maravilhas Eu seria um turista por lá, mas não seria inédito Eu só não gosto de caminhar sozinho Por isso pedi sua permissão e sua mão Pra me guiar
Eu sempre acreditei em viver em um castelo Apesar das rachaduras e do cheiro de mofo Sempre acreditei nas intenções do universo Mesmo que seja escuro e que me tire a voz
Eu sempre quis ter controle Mas paradoxalmente, queria ver o destino agir
Em um mundo de fantasias, Entre borboletas e morcegos Entre mariposas e demônios Bem no centro eu fiz meu lar
O dia perfeito, O encontro dos sonhos, As coincidências, As horas iguais, O mesmo transtorno, Até o atraso que me levou até ali Onde você estava
Pode ser a primeira ou a milionésima vez Mas eu sei que é diferente Pode não ser pelo fim, Mas pela minha vontade de insistir
Pela minha disposição de mergulhar nesse conto Apesar dos riscos, apesar da distância, E das probabilidades dizerem que não
Eu não tenho mais medo, Eu te mostro o que sou Pode ser fantasia, ou coisa qualquer Mas se depender de mim, tudo se mistura
Em uma lisergia sóbria Em alucinação realizada
Se eu te amo eu não sei Se o universo nos chama, Cabe a nós atender
De todas as fantasias, Eu te quero sem máscaras Quero conhecer suas falhas, Seus erros, e quem você é
Não te peço muito Só espero que entenda o que tento dizer Não quero que mude Não quero que queira o que não quer
Apenas peço, que esteja aqui Seja da forma que for Seja destino ou loucura Apenas que fique