
Eu atravesso a rua sem olhar pros lados
compro minha passagem só de ida
Pego carona com o primeiro estranho
Eu paro de usar preto até eu morrer
Se me chamar agora
Eu brigo com o mundo
Me afasto dos amigos
Reservo meu tempo só pra você
Se me mandar a palavra certa
Eu até paro de cantar
Limpo todos os rastros
Faço do inferno o paraíso pra atender
Eu tomo meus comprimidos sem olhar
Aceito qualquer brasa que tenha sido acesa
Passo semanas sem vontade de comer
Subo no parapeito do vigésimo sexto andar
Mas se você me chamar
Eu paro com o drama
Eu arrumo a minha cama
Me arrumo pra te receber
Se você souber pedir
Eu largo a carreira
Eu te levo pra praia
Pra ver o mar fundir com o sol
(21/05/2026)

Sensação idêntica tive quando quando li os poemas do Cazuza há uns 30 anos.
De fato, percebi essa semelhança quando li seu comentário. Não foi intencional, pode ter sido inconsciente. Sinceramente, estava com medo de parecer um plágio de “Primeiro Avião” do Esteban Tavares quando postei. Mas caso tenha sido um elogio, fico contente em ter despertado essa conexão involuntária com um artista excepcional.
Certamente um elogio. Queria ter mais essa sensação.