Helena II (Wintertime Has Come: Weather Could Never Be As Cold As I am)

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Depois que absorvi a inevitabilidade
Continuei a descer a ladeira
Dia após dia

Não porque tivesse mudado de ideia
Mas porque a estrada continuava ali
Se estendendo além da curva
Como sempre fez

Ainda escalo montanhas
Mesmo conhecendo o preço da subida

Os calos,
A astenia,
O peso nos ombros

Tudo chega na hora marcada
Mas dessa vez, eu escolho a hora
Pro alarme tocar

Quando eu atinjo o topo,
Não comemoro a vista do céu
Pois sei quanto vai doer pra voltar

E sempre se dói.

Nada fica,
Nada é eterno,
Nem mesmo a morte.

Ciente das tantas vezes que o freio falhará
Cheguei a me esconder no medo de confiar
Que existe uma força capaz de me parar

Confiei tanto que havia um destino só meu
Mas eu nem sabia aonde queria chegar

O que sei é que só existe uma saída pra gente
Fazemos todo esforço pra ignorar.

Mas já conheço esse roteiro

Trocam-se os cenários,
Trocam-se os nomes,
Trocam-se as dores

E a história insiste em continuar

Sempre levanto tendo o mesmo pesadelo,
Desejando nem ver esse novo dia raiar
Bebo insegurança como se fosse veneno
Talvez seja porque nunca fui bom da cabeça,
Mas já não quero que ninguém tente me salvar

A gente se machuca, se entrega
Luta e faz igual ao começo
Esperando algo novo pro final
Convencendo que esse era o plano

Por que continuo a subir
Se depois dali só tem chão?

Por que não poupar o esforço
E aceitar que o fundo é meu lugar?

Sempre que eu chego no topo
Eu lembro que não é meu lar.

Será que é assim tão errado
Assumir o impulso de saltar?

Se todo destino é sempre tão certo,
E o que machuca é o caminho até lá
Por que nos prendemos vendados ao hábito?

De subir, de descer
De cansar, de não desprender do receio de cair?
De fingir que certa hora vai ficar tudo bem?
E por mais quanto tempo eu deveria acreditar?

Revivemos só pra partirmos de novo depois
E continuamos vivendo,
Sofrendo e esquecendo,
Só pra morrer devagar.

Será que isso nunca esteve nas minhas mãos?

Pra quem foi feito o abismo?
Por que existe a escuridão?

Eu não tenho mais medo de contemplar
Então que me olhe no fundo do olho
E enxergue a minha alma exposta

Saiba que estou pronto quando vier me buscar
Quem sabe eu mesmo irei ao seu encontro
Quando a minha voz acabar?

(02/06/2026)

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Autor: Alex Machado

Eu fecho os olhos só pra te visitar - Eu sonho só pra ter paz.

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