Alice

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I’ve been looking for better ways to let you know
When I fail at the mission, I have to explain
Would you even let me try, if I asked you to?

I would paint all my garden black
If it’d make you feel like home
It makes no sense but feels like I’ve known you
Ever since I was a child

So take me to wonderland
And I’ll call you Alice
Sick… I’m sick of standing in the same place
It sucks that I can’t be by your side right now

So take me to wonderland
And call me Oli
Then tell me you’re my Alissic

I figure it’s too much to ask of you
When we haven’t known each other for very long
And I know we’re too far away
But I have scars enough to tell
The universe is whispering both of our names

I wish I was the kind of man
Capable of speaking what’s on my mind
But it has always felt chaotic in here
I don’t have the right words to make it clear
So I hope you can see it through my soul

So take me to wonderland
And I’ll call you Alice
Sick… I’m sick of standing in the same place
It sucks that I can’t be by your side right now

So take me to wonderland
And call me Oli
Then tell me you’re my Alissic

We have had the same fears
And have walked similar paths
Now we don’t need to run anymore
Cause I love you as you are right now

It seems we’ve been on different roads
But they led us to that same place and time
I just hope you are a vampire
So you can read what’s on my mind

So take me to wonderland
And I’ll call you Alice
Sick… I’m sick of standing in the same place
It sucks that I can’t be by your side right now

So take me to wonderland
And call me Oli
Then tell me you’re my Alissic

(01/10/2026)

CATALEPSIA

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Eu sinto falta de falar com alguém
Qualquer bobagem, de fazer meus dramas

Estive viajando em anestesia
Passando sozinho o meu tempo
Escondendo meus problemas

Mas eu tinha que viver
E foram aqueles olhos puxados
Ou o jeito que me contava
O que eu tava precisando ouvir

Cada detalhe da sua vida
Cada coisa que a gente concorda
E o que não tem nada a ver

Eu acordei do coma
Não sei se foi eu, ou se foi você

Água da chuva veio pra lavar
A paralisia defensiva

Então coloquei meu pé na lama
E soltei o controle
Nem sei mais cadê

Eu tinha que viver
Talvez fosse seu delineado
Ou o jeito que eu me encontrava
No seu jeito de pensar

Eu só sei que senti de novo
Mas não voltei pro mesmo lugar

Eu sinto falta de falar com alguém
De ter com quem conversar

(14/09/2026)

Manifesto

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Eu sonhei com o espaço,
A imensidão me aterrorizava
Tão vazio, eu não projetava minha voz
Mesmo que eu tentasse gritar
Até a garganta sangrar

Eu sonhei que caía
Não havia lógica, só gravidade
Muito espaço, mas sempre igual
Exceto pelo mundo que eu avistava
Era só um ponto azul no céu

Quanto mais me aproximo,
Mais sinto o medo de esvanecer
Abraço com clareza o meu destino,
Eu sempre aceitei, sempre estive pronto
Mesmo quando parecia cheio de dúvidas

O sofrimento é algo tão pequeno
Quando colocado sob perspectiva
Mas não vai deixar de arder
Na verdade, dói mais a cada instante
Conforme vejo o mar se aproximar

Enfim eu mergulho
Afundo por milhas e milhas submarinas
Inicialmente, vejo os corais radiantes
Mas aos poucos toda a luz fica rarefeita
E há algum tempo não dá mais pra respirar.

Completamente no escuro agora,
Eu até saberia como nadar
Mas sou incapaz de apontar a direção.

Eu não sei voltar pra superfície,
Quanto mais eu grito, menos ar
Quanto mais tempo perco,
Mais afundo

E afundo…

E eu me perco,
No oceano,
No tempo,
Na ausência de um caminho.

Às vezes até nas metáforas.

Eu sonhei que caía
O espaço era só um lugar frio,
Vazio e familiar

Eu sonhei que caía
O oceano é um lembrete da impotência
Até pra quem sabe nadar

O espaço,
E o mar,
São a partida e o destino
A vida é a eterna queda
É falta de controle
É ausência de voz,
E a certeza de afogar

Pois que aproveitemos a queda,
Nem que seja pela breve carga de adrenalina.
E que nos apeguemos à esperança de acordar.

(23/06/2026)

Sem Interfone

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Oi
fazia tempo que eu te evitava
eu atravessava pro outro lado da rua
olhava pra baixo, pra não cruzar o olhar

Não senti saudade alguma
mesmo assim veio me acompanhar

Não bastasse minha vigilância intermitente
e minha incapacidade de impedir seu retorno

eu mudo a senha, reconfiguro o alarme
eu troco os cadeados e as fechaduras
mas você sempre dá um jeito de passar

Você parece sombra
que chega só para apagar a luz
traz consigo o frio habitual
depois oferece seu abraço
pra eu me aconchegar

Oi
Vivi demais pra me tornar vilão
às vezes sou eu quem te carrego
e a espalho por onde eu me instalo

Oi
eu não aprecio quando você chega
e nem sei quem sou quando se vai
quase sempre somos só nós dois

Te vejo em tantas formas
evito pensar no seu nome
mesmo com a sua constante presença
onde quer que haja escuridão

(16/06/2026)

pre-bos playlist: depression, anxiety, fomo (lo-fi remix)

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I just found out I have FOMO
And it’s been killing me

My doctor says I’ve got BPD
I swear it’s only ADHD

But honestly, it’s driving me mad
Sometimes I wish I could disappear

People say I should test for ASD
I’m pretty sure I’m just bored

Nowadays everyone’s got social anxiety
I’ve felt this way since I was a kid

I keep telling myself it’s just a phase
Watching this chapter never end
We pretend we’re gonna be okay
It’s been this way for over a decade

I wake up every day with the fear
That my depression’s in control
I go to bed every night
Hoping I won’t have to face it all again

I just found out I have FOMO
My doctor says it’s BPD
I still think it’s ADHD
I’d swear it’s just the drugs

I never want to be alone
I can’t stand my own company

(11/06/2026)

Helena’s Funeral (Wintertime Has Passed: Time to Rest)

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Passei tanto tempo exorcizando meus fantasmas
Que esqueci de lhes oferecer uma xícara de chá
Quem sabe um lugar pra se acomodarem

Passei tanto tempo contemplando o mais puro nada
Que por décadas aceitei que era tudo o que havia
Às vezes creio não fazer jus aos meus sentidos

Não, eu não peço concordância.
E tampouco aguardo compreensão.

Não há aqui mais força pra explicações
Sempre esteve imutavelmente cravado
Explicitado nas entrelinhas,
Na opacidade do meu olhar.

Declaro ciência das mãos estendidas
E das tentativas de ofertas de abrigo
Desconheço remédio que cure o veneno
Não existe conserto pra alma danificada

São muitos temporais
Que permanecem uivando
Mesmo com as janelas seladas

Vivo a carregar o peso do meu mundo
E de tudo o que posso deixar para trás

Nunca foram os cigarros, nem os comprimidos
Não era a bagunça no quarto, ou sequer o tédio

Minha função se limita à permanência
Mesmo quando já não me reconheço no espelho?
Mesmo enxergando toda partida
Da sacada do meu sexto andar?

Hoje não procuro respostas
Nem alguém pra me salvar

Não tentem me convencer
Não há energia pra voltar

O inverno se despede

E eu já não preciso esconder
Que faz arder minha pele o frio

Já não há mais razão pra fingir
Que não enxergo, de olhos fechados, o ciclo

Se existe a paz
Ela nasce daqui
Do segundo em que desistimos de negociar
Com tudo aquilo que sabemos ser inevitável

Então quando chegar a hora
Estarei de braços abertos
Pra passar pela porta,
e me acomodar onde há paz

Quando eu escolher a hora certa
estarei pronto pra partir daqui
para prosseguir sem dor
Desconhecer a guerra

Impulso é fator que inexiste aqui
Foram palavras e pensamentos
calculados, trabalhados,
desenhados com cuidado

Não há rasura.
Não tem rascunho.
Sem espaço pra desfazer.

Não levem a mal.
Quanto o sino tocar.

(06/06/2026)

Helena II (Wintertime Has Come: Weather Could Never Be As Cold As I am)

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Depois que absorvi a inevitabilidade
Continuei a descer a ladeira
Dia após dia

Não porque tivesse mudado de ideia
Mas porque a estrada continuava ali
Se estendendo além da curva
Como sempre fez

Ainda escalo montanhas
Mesmo conhecendo o preço da subida

Os calos,
A astenia,
O peso nos ombros

Tudo chega na hora marcada
Mas dessa vez, eu escolho a hora
Pro alarme tocar

Quando eu atinjo o topo,
Não comemoro a vista do céu
Pois sei quanto vai doer pra voltar

E sempre se dói.

Nada fica,
Nada é eterno,
Nem mesmo a morte.

Ciente das tantas vezes que o freio falhará
Cheguei a me esconder no medo de confiar
Que existe uma força capaz de me parar

Confiei tanto que havia um destino só meu
Mas eu nem sabia aonde queria chegar

O que sei é que só existe uma saída pra gente
Fazemos todo esforço pra ignorar.

Mas já conheço esse roteiro

Trocam-se os cenários,
Trocam-se os nomes,
Trocam-se as dores

E a história insiste em continuar

Sempre levanto tendo o mesmo pesadelo,
Desejando nem ver esse novo dia raiar
Bebo insegurança como se fosse veneno
Talvez seja porque nunca fui bom da cabeça,
Mas já não quero que ninguém tente me salvar

A gente se machuca, se entrega
Luta e faz igual ao começo
Esperando algo novo pro final
Convencendo que esse era o plano

Por que continuo a subir
Se depois dali só tem chão?

Por que não poupar o esforço
E aceitar que o fundo é meu lugar?

Sempre que eu chego no topo
Eu lembro que não é meu lar.

Será que é assim tão errado
Assumir o impulso de saltar?

Se todo destino é sempre tão certo,
E o que machuca é o caminho até lá
Por que nos prendemos vendados ao hábito?

De subir, de descer
De cansar, de não desprender do receio de cair?
De fingir que certa hora vai ficar tudo bem?
E por mais quanto tempo eu deveria acreditar?

Revivemos só pra partirmos de novo depois
E continuamos vivendo,
Sofrendo e esquecendo,
Só pra morrer devagar.

Será que isso nunca esteve nas minhas mãos?

Pra quem foi feito o abismo?
Por que existe a escuridão?

Eu não tenho mais medo de contemplar
Então que me olhe no fundo do olho
E enxergue a minha alma exposta

Saiba que estou pronto quando vier me buscar
Quem sabe eu mesmo irei ao seu encontro
Quando a minha voz acabar?

(02/06/2026)

The Last Dance of Helena (Post-Carnival Parade: Wintertime Has Come)

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Noite passada recebi uma visita
Depois de anos tentando me esconder,
Dessa relutância pra evitar olhar nos olhos,
De tapar os ouvidos pra sua voz aveludada,
Ela veio sem ter sido convidada.

Ela chegou no fim da festa,
Quando não tinha ficado ninguém,
Até os créditos já tinham desaparecido.

Senti medo por tanto tempo
da resposta que já estava escrita
bem guardada, em envelope selado.
Eu só não queria abrir, mas já estava ali
E eu sei bem, pois fui eu quem redigi
Cada palavra calculadamente
Só que eu procurei esquecer
Elas têm um sabor agridoce
Tão reconfortante quanto familiar

Por muito tempo dissociei, enrolei, evitei
Mas ela sempre esteve logo ali
A assinatura era minha própria
E isso sempre será absolutamente imutável

Depois de tanto navegar contra a maré
Resolvi abraçar o que eu mantinha sob o tapete
Escondido bem no meio da sala de visitas
Enquanto esperava alguém vir me socorrer

Então eu entendi que era eu
As vozes, as dores, os ruídos
Eu tive a coragem de pular.

Perdi o medo de contemplar o abismo
Eu mesmo resolvi encarar.
Ele que se assuste com meu olhar.

Engajei-me contra,
Cheguei a me enganar
Mas eu sabia como seria
Afinal, eu mesmo escrevi o final

Agora eu sei o que eu sempre soube
Sei o que não devo impedir
Então que venha e me abrace de preto
Me dissolva e arraste por inteiro,
Contanto que eu decida os termos.

Se agora eu sei o que fazer
Me resta preparar o terreno.

Eu não achei que estaria tão pronto
Esperava mais drama, um último sinal
Mas já me trajei e ensaiei
Pra quando a minha valsa tocar
Pra quando eu começar a dançar

Agora que eu já decidi
Vou, sem medo
Sem pesar
Vai passar,
Eu prometo.

Eu escolhi,
Eu mapeei,
Eu vou seguir.

Só me falta resolver pontas soltas
Pra finalmente poder me soltar

(28/05/2026)

03:13 (FOMO)

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A neblina ofusca o brilho do poste
Que passa pela janela
como o único ponto de luz

De hora em hora ouço barulho de motor
Que reverbera da sacada
Até ficar tão distante

Eu deito e fecho os olhos
Eu viro, reviro, confiro o relógio
Eu calculo os minutos até o alarme soar

Acendo o celular, busco por uma mensagem
Qualquer que fosse,
Pra vir me salvar

Acendo o celular, quem sabe não deixei passar
Notícia qualquer
Que passou batido

Mas esse capítulo eu já li
Eu ainda não aprendi a lidar
Mas sei como vai acabar
(Ele vai acabar?)

Nenhum cupom acende a tela
Nada, o absoluto silêncio,
Ninguém vai te chamar
Não é hora pra pensar

O frio eu não sei de onde vem
do deserto lá de fora
ou se exala do meu corpo

Mas as vozes não se calam
A noite o ruído parece mais alto
Essa noite até meu travesseiro
Repete que isso não vai embora

O que me sobra é tentar prever
O que vem primeiro…
O próximo barulho na avenida
Ou o meu despertador?

(22/05/2026)