A Gravidade é uma Puta

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Ficava claro por alguns segundos
E em seguida, escuridão.

Eu sentia meu corpo se debater
Mas eu não tinha forças pra desfazer
Meus pés não alcançavam o chão
Eu não tinha mais voz pra gritar

Então é assim que termina?
Então esse é o preço que se paga
pelas escolhas que eu fiz?

Deus, me perdoe, pelos meus pecados
Deus, me perdoe, por tudo que fiz
Deus, me perdoe, pelos meus pecados
Deus, me perdoe…

A dormência já possuiu meu corpo cansado
Mas a cacofonia não parou até o último suspiro
Ela se contradizia no final:
Dizia pra desistir – mas o sentido era outro.

Desistir
De desistir

Parece que é tudo que eu faço
Desistir e desistir
Até o último momento.

Quem dera eu soubesse antes
Quem dera alguém pudesse me ouvir

Quem dera eu tivesse pensando a quem chamar
Quem pudesse vir me salvar

Mas tudo que resta agora
São de três a seis minutos pra me arrepender
São de três a seis minutos para rever

Queria que alguém tivesse me falado
Que não é a solução
Em vez de todo silêncio
Em vez da habituação

A gente só enxerga quando a luz nos cega

Não ouvimos
Até que os gritos sejam altos o suficiente
Pra nos fazer parar – e ensurdecer

E não sentimos
Até a vida nos atropelar.

Por quê diabos o acidente é requisito obrigatório?

Quem dera eu soubesse disso momentos atrás.

Será que isso é tudo?
Eu deveria ter pensado nisso
antes de subir.

Mas agora o alívio se tornou arrependimento
Eu não quero mais.
Eu quero viver.

Mas a gravidade faz
o que sempre faz.

O que eu desejei no início
agora eu queria desfazer.

Não, eu não quero!
Eu não quero ter que pagar o preço
Da vista do meio pra baixo.

O preço que se paga do meio pra baixo
É só conseguir entender
Quando já é tarde demais.

Me desculpem por ser sempre assim.

(13/03/2026 – 03:49)

A VISTA DO MEIO PRA BAIXO (GRAVE ACIDENTE)

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“A autopiedade pesa toneladas, um milhão de quilos por vez.
Pensei que seria mais rápido, mas o tempo parou de passar.”

Só nessa semana
Já ouvi o sussurro mais de mil vezes
Essa cacofonia na minha própria cabeça
Tentando convencer que pular é a única decisão
Pregando que dessa vez não haverá outro jeito

Admiro Bill e Frank
Quando souberam a hora certa de desligar
Conscientes, saciados e satisfeitos

Mas eu já não sinto
que chegarei lá.

Quanto tempo mais vai ser preciso esperar?
Até quando vou precisar me anestesiar
Só pra não ter que pensar?

Quanto tempo vou me enganar?
Ter que ampliar as cores, as formas e os olhos
As ondulações, euforia e inspiração
Só pra não esquecer que continuo por aqui

“Eu queria que alguém pudesse ter feito isso por mim.
Mas agora eu vejo a verdade, enquanto o mundo se apaga.
A vista do meio pra baixo é o preço que a gente paga.”

Grandezas sempre aguardaram por mim
Mas há tanto tempo que me vejo a esperar
Que eu corro, eu luto, eu penso e finjo
Mas esse corredor me parece infinito

Quase tão perto.
Mas não consigo tocar a maçaneta

Quase tão perto.
Mas não alcanço o outro lado da porta

Não vejo luz no fim do túnel, apenas uma porta que não leva a lugar nenhum
E eu sou incapaz de chegar

“Não sou piloto nem carro
Eu sou um grave acidente
Eu vou acontecer”

Quase tão perto.
Mas sempre longe demais.

Estamos todos sozinhos em salas cheias de fantasmas, esperando por uma ligação que não vai chegar.

Só nessa semana
Já ouvi o sussurro mais de mil vezes
Pregando que tinha que ser hoje
Mas eu teimava e me forçava pra entender:

A gente só enxerga quando a luz nos cega

Não ouvimos
Até que os gritos sejam altos o suficiente
Pra nos fazer parar – e ensurdecer

E não sentimos
Até a vida nos atropelar.

Por quê diabos o acidente é requisito obrigatório?

Eu sinto pavor daquela vista
Da vista do meio pra baixo.
Mas às vezes o que me repulsa também me atrai.

Se a vista do meio pra baixo tanto assusta
Se a vista do meio pra baixo é o preço que a gente paga

Então por quê o acidente se faz necessário?

(09/03/2026 – 02:19)

Combinação 66

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Eu comecei a fazer pra você,
E apaguei não só uma vez,
Mas mais vezes do que lembraria de contar.

Os versos se perderam,
O sentimento ficou:
Distorcido, engasgado, sufocado.
O roxo é hematoma,
O vermelho, cicatriz.
E eu me sinto tão azul.

Jamais ousaria pedir sua alma,
Mas o universo nos conectou:
Vilões, vítimas, artes, leitura
E eu te li muito antes.

Suplico aos céus e aos ventos:
Que me deixe em seu filme,
Nem que seja um figurante.

Te lia em outros rostos,
Em outras fases.
A frase que não era pra você
Também foi pra você – antes de saber.

Sinto falta da fantasia,
Da admiração e da constância.
Sinto medo nunca de ter sido errado,
Mas de ter sido rejeitado,
Repetido, descartado, última opção,
Ou opção alguma.

Seu nome está guardado
Na minha biblioteca de memórias
Com a senha seis e seis.
Sua voz está presente
Sempre que dedilho as cordas do meu violão.

Não era autossabotagem,
Era destino – Só você não entendeu.

Não importam as milhas e milhas de distância,
Ou o coração que te separa do meu.
É certo, está escrito – não nas estrelas,
Na minhas linhas e nas suas.

Não importam os anos e anos de distância,
Ou o medo que se une ao meu.
É certo, será escrito:
O meu nome ao lado do seu

A jaula jamais será prisão se você tem a combinação.
Não quero promessa, não quero cobrança.
Eu não faço sentido, nunca desejei ser lido.

“Não é porque não foi dito, que não foi vivido.
Não foi porque não foi reafirmado que não foi sentido.”

E pra não perder o hábito:
“Só quero que você entenda:
Mesmo se não for pra ser, será.” 

(09/09/2025)