
Eu sonhei com o espaço,
A imensidão me aterrorizava
Tão vazio, eu não projetava minha voz
Mesmo que eu tentasse gritar
Até a garganta sangrar
Eu sonhei que caía
Não havia lógica, só gravidade
Muito espaço, mas sempre igual
Exceto pelo mundo que eu avistava
Era só um ponto azul no céu
Quanto mais me aproximo,
Mais sinto o medo de esvanecer
Abraço com clareza o meu destino,
Eu sempre aceitei, sempre estive pronto
Mesmo quando parecia cheio de dúvidas
O sofrimento é algo tão pequeno
Quando colocado sob perspectiva
Mas não vai deixar de arder
Na verdade, dói mais a cada instante
Conforme vejo o mar se aproximar
Enfim eu mergulho
Afundo por milhas e milhas submarinas
Inicialmente, vejo os corais radiantes
Mas aos poucos toda a luz fica rarefeita
E há algum tempo não dá mais pra respirar.
Completamente no escuro agora,
Eu até saberia como nadar
Mas sou incapaz de apontar a direção.
Eu não sei voltar pra superfície,
Quanto mais eu grito, menos ar
Quanto mais tempo perco,
Mais afundo
E afundo…
E eu me perco,
No oceano,
No tempo,
Na ausência de um caminho.
Às vezes até nas metáforas.
Eu sonhei que caía
O espaço era só um lugar frio,
Vazio e familiar
Eu sonhei que caía
O oceano é um lembrete da impotência
Até pra quem sabe nadar
O espaço,
E o mar,
São a partida e o destino
A vida é a eterna queda
É falta de controle
É ausência de voz,
E a certeza de afogar
Pois que aproveitemos a queda,
Nem que seja pela breve carga de adrenalina.
E que nos apeguemos à esperança de acordar.
(23/06/2026)
