O que hoje você vê

Pouco se sabe sobre ele. Pouco se quer saber sobre ele. Ele caminha entre amigos. Ele caminha sempre sozinho. Se sabe, ao todo, que ele não fala sobre o passado. O sorriso do rosto não engana a falta de brilho da voz, nem mesmo o pedido de socorro que fica implícito no fundo dos olhos. Como já dizia um de seus escritores e músicos preferidos : ” Por fora tudo está tão bem / Por dentro o choro não tem fim. ” Todos sabe, mas ninguém tenta enxergar. As batidas aceleradas do seu coração vazio, onde costumava ser a moradia de alguém, hoje abriga apenas o desespero. Sua respiração ofegante, demonstra também o que ele se cansou de escrever. Todas as piadas que eram sempre tão engraçadas, já soam como um grito, quando ele sorri, todo sem graça. Todos seus sentimentos, foram canalizados em um só, muito frustrante e agonizante, pudera haver adjetivos para descrever o que só seu sorriso tolo e seu olhar de lado, o impedem de esconder. Toda aquela alegria e ingenuidade se foram pra bem longe, nem mesmo as lembranças ficaram guardadas, e ele, só deseja que elas sumam, junto com tudo e todos. Ele quer que elas sejam reais, ou ao menos atuais. Ele quer a sua vida de volta, ele quer uma nova vida. Suas lágrimas já tão raras simbolizam hoje, o ódio que ficou aprisionado em seu interior, como o espinho e o veneno. Hoje ele olha para os lados, hoje ele enxerga seu passado. Hoje ele vive em um mundo irreal ( ou o real, se preferir), pois é a unica saída que ele encontra. O espelho já não reflete mais a sua imagem, como costumava refletir, pois aquele que ele costumava ser, está trancafiado em uma caixa, em um cubículo escuro, há sete mil palmos abaixo dos pés. E quando suas esperanças chegam ao final, ele espera abrir os olhos, e perceber que há sim, uma saída. Mas ele percebe que a esperança já se foi há meses, e levou sua vida, como recompensa. Eu finalizo, com outro trecho, de uma mesma melodia: ” E se eu te falar que ele sou eu? E se eu confessar que dói demais? ” . Pudera eu, me levantar um dia, e tudo fazer tanto sentido, quanto não faz desde uma certa manhã de Sexta-Feira, desde que me deixei perder. Quem sabe algum dia, ou alguém, por aí…

Avatar de Desconhecido

Autor: Alex Machado

Eu fecho os olhos só pra te visitar - Eu sonho só pra ter paz.

Deixe um comentário