Revanche, II

Uberlândia, 30 de Julho de 2012

Você pegou o que eu mais queria, e guardou dentro de uma caixa vazia. Sim, eu sei meu caro, pois também já tentei fugir. Só queria dizer que de todas as formas possíveis tentei remendar e concertar tudo o que eu fiz, mas nada valeu além daquele belo punhal que atravessa minha carne e ossos, e que a cada vez que me viro, sinto cravar mais e mais minhas costas. Sinto muito, mas depois de tanto fugir, e não me importar, depois de tanto lamentar e me perguntar o que eu travei à você de forma proposital e direta, percebi que tudo o que eu faço, tem um valor de uma imensidão que só você pode imaginar, e que cada um de meus passos estão destinados à suas ações e que de cada obstáculo que eu encontrarei em meu caminho à felicidade, o pior tem teu nome gravado com seu sangue.

Eu estive perdido, não sabia se pedia trégua outra vez, ou se me juntaria a você nesse joguinho em que cada um apunhala o outro até que os dois estejam feridos o bastante para desistir, e que não haveria recompensa alguma. Talvez você tenha idealizado em você um ódio grande por mim, ou pela garota que eu amo, cuja você disse amar também um dia. Embora seja tentadora a vontade de arrancar todo o sangue que corre nesse seu corpo que não é mais do que um lixo carregando um coração escuro e um vazio imenso, eu hei de resistir e deixarei você tentar e tentar até que desista de uma vez e perceba o quão inútil será cada uma de suas tentativas. Sinto muito, meu caro, mas você já tirou quase tudo o que eu tinha, levou minha banda, meu sorriso, mas nunca levará minha alma. Contentarei-me simplesmente em observar você se afundar aos poucos em suas próprias armadilhas, enquanto o ódio corrói sua alma, e o rancor que sente por mim, lhe causa cegueira, o que certamente seria o seu único inimigo nessa batalha. Peço desculpa pelas futuras indiferenças, mas a partir da assinatura dessa carta, eu partirei para minha despreocupação, e desejo sinceramente, que você cresça e aprenda com seus erros, e saiba que não há sentimentos ruins ao seu respeito dentro de mim. Agradeço e me desculpo por tudo, caso você esteja lendo.

Minhas Lamentações,

             Alex Oliveira 

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Autor: Alex Machado

Eu fecho os olhos só pra te visitar - Eu sonho só pra ter paz.

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