Há dias na vida da gente em que a gente olha pra trás, respira e sem nenhum hesito a gente para pra pensar.
Hoje tive pela primeira vez, a sensação de ouvir aqueles velhos versos sofridos que me sangravam o peito de fora a fora.
“Então diga que o tempo fecha todas as feridas, e que pra nós existe uma saída, que nem por um segundo me esqueceu”.
É estranho o fato de querer sentir naquelas coisas que a gente já nem falava mais, aquela dor, e é doloroso o sentimento de não o sentir.
Fecharam-se meus sentimentos dentro de uma caixa de madeira, e trancaram-me nesse lugar escuro sem sonhos a vista.
Sinto como eu uma embarcação, porém ausente de tripulação, como um homem ao mar em meio à infinita imensidão de água salgada, e sem terra a vista.
Não há ancoras, e me recuso a me encarregar sobre o leme, pois sei que a vinte mil léguas abaixo do casco, Davy Jones guarda o que é meu em seu baú.
Escrevo hoje palavras frias sem as sentir, com o intuito de registrar o vazio que me atravessa e corta o ser como uma lamina recém-afiada.
Deixo aqui minha angustia de não a sentir.
