
Um quadro abstrato e caótico
Uma confusão arquitetada,
Com a intenção ofuscada –
O acaso nos fez suas peças
A aleatoriedade do universo
Meu ceticismo exacerbado
As infinitas possibilidades
A tentativa de não fantasiar
Mas estava logo diante dos meus olhos
Eu, duvidando da lucidez, reparei:
O mesmo rosto, a mesma silhueta
As roupas, a mesma veia na testa
Tentei não reparar. Fingi não ver
Tive medo do que pensaria
Corri dali, sem cumprimentar,
Sem saber se viu, se queria ter visto
Em meio à fumaça cinza, consegui enxergar
Uma luz em um lugar desconhecido,
O sol naquele instante tão específico
A probabilidade que beira o impossível
Se os sinais são reais, pergunto-me:
O que o universo tenta escrever?
Seria um humor trágico
Ou um romance épico?
Um filme do Hitchcock
Resta-me saber meu papel:
De vítima ou agressor –
Psicose ou amor?
(18/07/2025)
