
Vi você nas cores,
no vermelho que arde e no azul que apaga,
no roxo que envolve e se arrasta,
como sombra que respira entre nós.
Uma vez, havia um frigobar.
Outra, o medo de eu falar.
Mas em nenhuma das vezes havia “eu”
Eu tinha pronto um texto sobre o número 66.
Eu não escolhi esse número – ele me escolheu.
E ate hoje sigo sem casa.
Entre todas as vilãs e vítimas,
as esperanças e rupturas, uma constante:
o azul e o vermelho, cegando quem se aproxima.
Esse provavelmente é o texto mais difícil de ler.
Jamais será entendido, mas o saldo me trará prejuízo
Me desculpe por transbordar nestas palavras.
Você pediu limites, pediu silêncio.
Eu os guardo como ferro quente.
Mesmo em ruínas, sigo firme.
Prometi não abandonar.
E fico.
Mesmo que cada passo atravesse a alma,
mesmo que cada lembrança seja lâmina.
Mesmo que o silêncio pese mais que qualquer grito.
Eu precisava registrar esse grito.
E prometo: ele jamais será explicado,
É apenas sobre o número 66 – e o que jamais foi escrito.
Mesmo em silêncio, mesmo sufocado,
a escrita me mantém:
sobreviver, existir, manter a promessa viva.
(16/08/2025 – 00:41)

