
Desculpa por te interfonar tão tarde.
Eu quis tanto acertar desta vez,
mas perco as palavras quando vejo você.
Encontrei na tua voz a canção que esqueci
de te escrever.
Mas tu já me conheces tão bem,
que bastam três garrafas vazias
e um impulso vem me dizer como agir.
Eu grito as frases de que já te cansaste de ouvir.
só para me escutar.
Eu devia esquecer meu celular
para não ter chance de te ligar,
nem esperar a notificação chegar,
pois não há mais ninguém pra me impedir
de te esperar.
Os versos que eu nunca acabei,
aquele livro que eu jamais lancei,
a casa à qual não mais voltei,
pois fico esquecido toda vez que me lembro
do que já perdi.
Desculpa o peso que eu criei
e todas as expectativas em vão.
Procuro sempre o equilíbrio ideal,
mas é que nunca aprendi a ser outro alguém
e não sonhar.
“Então diga…”
Diga que tu és a maré viva,
pois também sou maré viva.
Diga que queres te afogar
pra eu poder –
te salvar.
Quando chegar o naufrágio,
Faz do meu coração
tua embarcação.
“Então diga…”
“Então diga…”
(17/09/2025)
