Borderline, parte II (Terra do Nunca)

Me dá um espacinho na sua agenda.
Lembra que eu existo além do lençol.
Faz de mim parte real da sua vida.
Para de me esconder dos seus amigos.

“Eu bebi saudade a semana inteira
pra domingo você me dizer
que não sabe o que quer
e não quer mais saber.”

Me fez te querer, me fez esperar.
Cultivou minha expectativa como sua.
Abriu o envelope e não leu o telegrama.
Ainda diz que sou melhor, mas não assume
(bem baixinho, pra ninguém ouvir).

Outra vez, depois de tudo —
ou quando não sobrar nada de melhor —
quem sabe tire um tempo pra mim?
“Esse fim de semana não dá.”

E eu espero, eu acredito, eu vivo
em cores, em cheiros, em fantasia.
Eu ouço suas palavras escritas
e sinto a sua pele na minha.

Quem sabe no fim do mês,
se não desistir até lá,
se não encontrar algo melhor,
ou antes da dissociação passar?

Você quer meu corpo junto ao seu,
gosta de me ouvir dizer o que ninguém diz,
me liga de madrugada pra contar da saudade,
mas só permanece até o alarme tocar.

Vai expor meu nome ao lado do seu?
Vai deixar de pensar tanto e fazer?
Os áudios embriagada vão traduzir a verdade,
ou apenas a carência da minha atenção?

Será que esse dia vai chegar —
se não desistir até lá,
se não encontrar outro lar,
ou até a ilusão acabar?

(17/10/2025)

A poeira na estante e a lâmpada queimada

Você grita o nome dele quando vomita borboletas?
O coração dele também tem seu nome tatuado à mão?
Você se pergunta se ainda vai encontrar alguém como eu?
Quantas vezes seu coração disparou nos últimos dez anos?

Ainda é meu jeito obcecado que te deixa à vontade?
Não importa no que insista em se convencer,
eu ainda sou quem tira o seu sono nessas noites,
nos fins de semana olhando as estrelas no teto,
ouvindo os carros passarem, esperando o telefone tocar.
A anestesia acabou — deixa o pensamento te buscar.

Você sussurra o meu nome quando está com ele?
Eu fui o melhor que você já teve?
Ainda ouve minha playlist quando acorda?
Falta tanto assim pra você entender?

Quando as luzes se apagarem e o amor bater à porta,
qual será o primeiro nome que irá chamar?
De quem vai ser esse espaço ao teu lado,
que você jamais deixou de guardar?

E sim, meu bem, eu sei.

“I know that we’re taking chances
You told me life was a risk
I just have one last question
Will it be my heart
Or will it be his?”

Não tenha medo: abra as janelas pro sol entrar.
Deixa de segredo — me diga o que tem pra falar.
Não importa o tempo, mas não pare pra pensar.
Tira a poeira da sala e me convida pra te visitar.

(08/10/2025)