
Seria fácil apagar tudo
desarmar o interruptor
desligar o meu corpo,
analgésico para a dor
E lá vêm eles com suas lições:
“O segredo está no que digo…”
“Deveria voltar a estudar”
Mas lá vêm eles sobre minhas canções,
os que me ensinam como viver
do outro lado das suas telas,
os que não saberiam viver
caso seus smartphones morressem
Mas eles fingem que sabem de mim
e eu grito quando sei nada de mim
Me dê um tempo,
deixe o cigarro terminar
Eles pensam que sabem bem quem sou
como se vivessem minha vida por mim
tomassem os meus comprimidos,
usassem os meus tarja pretas
Então não me digam quando parar
Eu já até prometi parar de fumar
mais vezes do que pude contar
Eu tentei e parei
Eu voltei e fiquei
Mas sabem mais de mim do que eu:
“Vê se dorme mais cedo”
“Faça procedimento estético”
Eu já menti pra vocês se calarem
Me dê um momento pra eu poder pensar
em como eu escolhi ser
em como decidi viver assim
São tantos tentando me salvar,
mas ninguém disposto a ficar
às três da manhã neste bar
(ou em um quarto de hotel)
quando tudo que preciso é conversar
Quando quero falar do meu dia
e por onde vou estar pela manhã
meus planos, mesmo distantes
meus sonhos, entediantes
Quando acendo a luz
só vejo um quarto bagunçado
meu violão desafinado
e seu travesseiro desocupado
Eu não fumaria todas as minhas besteiras
os comprimidos ficariam na gaveta
Se fosse fácil apagar tudo,
desarmar esse interruptor,
transcender o meu corpo,
anestesiar a dor
(19/03/2026 – 05:19)
