
Eu comecei a fazer pra você,
E apaguei não só uma vez,
Mas mais vezes do que lembraria de contar.
Os versos se perderam,
O sentimento ficou:
Distorcido, engasgado, sufocado.
O roxo é hematoma,
O vermelho, cicatriz.
E eu me sinto tão azul.
Jamais ousaria pedir sua alma,
Mas o universo nos conectou:
Vilões, vítimas, artes, leitura
E eu te li muito antes.
Suplico aos céus e aos ventos:
Que me deixe em seu filme,
Nem que seja um figurante.
Te lia em outros rostos,
Em outras fases.
A frase que não era pra você
Também foi pra você – antes de saber.
Sinto falta da fantasia,
Da admiração e da constância.
Sinto medo nunca de ter sido errado,
Mas de ter sido rejeitado,
Repetido, descartado, última opção,
Ou opção alguma.
Seu nome está guardado
Na minha biblioteca de memórias
Com a senha seis e seis.
Sua voz está presente
Sempre que dedilho as cordas do meu violão.
Não era autossabotagem,
Era destino – Só você não entendeu.
Não importam as milhas e milhas de distância,
Ou o coração que te separa do meu.
É certo, está escrito – não nas estrelas,
Na minhas linhas e nas suas.
Não importam os anos e anos de distância,
Ou o medo que se une ao meu.
É certo, será escrito:
O meu nome ao lado do seu
A jaula jamais será prisão se você tem a combinação.
Não quero promessa, não quero cobrança.
Eu não faço sentido, nunca desejei ser lido.
“Não é porque não foi dito, que não foi vivido.
Não foi porque não foi reafirmado que não foi sentido.”
E pra não perder o hábito:
“Só quero que você entenda:
Mesmo se não for pra ser, será.”
(09/09/2025)
