
Acordei sem noção das horas.
Encarei o espelho, nada reflete.
Sinto que gritei isso tantas outras vezes,
mas não vou conseguir parar de escrever.
Do lampejo que atravessa frestas,
dos ciclos sem contenção,
dos meus impulsos irracionais,
dos episódios eternamente em repeat
Mordo os próprios pulsos
só pra sentir o gosto do sangue.
só pra saber que ainda está lá.
Me recluso no ponto mais alto da torre
antes de as cortinas se abrirem
pra não cruzar o que insiste em me alcançar:
O inevitável desalento – Ennui
Há semanas perdi o meu sono,
E nem vejo as horas passarem.
Meus dias com poucas palavras
Ainda resta tanto pra falar.
Na tatuagem que virou cicatriz,
no abstrato da minha sub-lucidez,
nas confissões das entrelinhas,
na reclusão dos meus próprios aposentos,
talvez até no olhar.
Não tenho lugar neste altar.
Não quero adagas nas mãos.
Não sei a quem salvar.
Não me visto de predador ou presa —
por vezes coincidem.
Não é como se houvesse escolha.
Já era dia quando me deitei.
O alvor fere meus olhos
e traz consigo a má notícia:
Vai começar outra vez.
“Ouvi que se eu não desistir, vai passar
Que se eu não pensar muito, vai sumir
Conforme o tempo passa, vai sarar
Que se eu fechar os olhos, não tá mais aqui.”
As muitas luas me fazem crer
que a razão ofusca essas horas
e não sei como responder
ao retorno da ligação.
Somos um culto de vampiros:
Eu, vocês e todos mais.
Eu aceito a condição:
Podem levar meu sangue.
Eu fiz meus votos
Abdiquei ao inútil esforço de relutar.
Quando já puderes me enxergar sem as máscaras,
e já reconheceres meu vampiro, e o abraçares,
estarei pronto para arriscar novamente.
Perdido na estrada, sem mapa,
Apesar de conhecida.
A casa em desordem não recebe visitas.
Vozes gritam nas madrugadas.
Outro título
para mais do mesmo.
Anseio
pelo gran finale.
(26/02/2026 – 04:58)
