
Ficava claro por alguns segundos
E em seguida, escuridão.
Eu sentia meu corpo se debater
Mas eu não tinha forças pra desfazer
Meus pés não alcançavam o chão
Eu não tinha mais voz pra gritar
Então é assim que termina?
Então esse é o preço que se paga
pelas escolhas que eu fiz?
Deus, me perdoe, pelos meus pecados
Deus, me perdoe, por tudo que fiz
Deus, me perdoe, pelos meus pecados
Deus, me perdoe…
A dormência já possuiu meu corpo cansado
Mas a cacofonia não parou até o último suspiro
Ela se contradizia no final:
Dizia pra desistir – mas o sentido era outro.
Desistir
De desistir
Parece que é tudo que eu faço
Desistir e desistir
Até o último momento.
Quem dera eu soubesse antes
Quem dera alguém pudesse me ouvir
Quem dera eu tivesse pensando a quem chamar
Quem pudesse vir me salvar
Mas tudo que resta agora
São de três a seis minutos pra me arrepender
São de três a seis minutos para rever
Queria que alguém tivesse me falado
Que não é a solução
Em vez de todo silêncio
Em vez da habituação
A gente só enxerga quando a luz nos cega
Não ouvimos
Até que os gritos sejam altos o suficiente
Pra nos fazer parar – e ensurdecer
E não sentimos
Até a vida nos atropelar.
Por quê diabos o acidente é requisito obrigatório?
Quem dera eu soubesse disso momentos atrás.
Será que isso é tudo?
Eu deveria ter pensado nisso
antes de subir.
Mas agora o alívio se tornou arrependimento
Eu não quero mais.
Eu quero viver.
Mas a gravidade faz
o que sempre faz.
O que eu desejei no início
agora eu queria desfazer.
Não, eu não quero!
Eu não quero ter que pagar o preço
Da vista do meio pra baixo.
O preço que se paga do meio pra baixo
É só conseguir entender
Quando já é tarde demais.
Me desculpem por ser sempre assim.
(13/03/2026 – 03:49)







