Notas Antigas #09

A noite vem pra trazer o que a gente tenta esconder
É promessa, é vontade, é maldade
É aquilo que eu devia ter dito
antes de ter partido

Seu olhar tão distante me entorpece
e me adormece, “vê se não esquece”
de que? eu já nem lembro mais
o silêncio já não satisfaz
me corta, me enche, mas me atrai

É o escuro que traz
um verso tão fugaz
que eu escrevi pra você
pra te dizer…

Que no frio dessa noite
no agudo dessa nota mais triste
que faz as teclas do meu velho piano chorar
o que eu mais quero por um triz não perdi
mas eu não vou perder, jamais
o que eu quero está do outro lado
é o que os meus olhos veem
toda vez que se encontram aos teus
o tom que sua voz faz
a luz que de ti acende
o meu viver

É o escuro que traz
um verso tão fugaz
que eu escrevi pra você
pra te dizer…

Mas que saudade de você

(04/09/2018)

Notas Antigas #08

Quem é a a dona
desses olhos dourados
dos cabelos loiros
e do meu bem querer?

A saudade aumenta
e sua falta alenta
a vontade de te ver

Quando vem pra ficar?
Já não aguento esperar

Quem é que faz
meu coração bailar
E a minha mão tremer?
nesse ritmo ao escurecer

quem me faz bem demais
que tem um jeito sutil
de nunca me deixar pra trás
de me fazer querer mais
e me plantar um sorriso
pra me acolher em paz

Quem é a dona da minha saudade
Só pode ser você…

(04/09/2018)

Notas Antigas #07

A sua existência nao faz diferença
você é um peso na terra
Ninguém liga pra como você se veste
ou pras meninas que você pega,
pras musicas que faz

Essas gurias elas não gostam de você
e quando te chutam contam pra amiga
sobre sua pequena habilidade para perceber…

Você é uma criança no corpo de um adulto
pensa que tudo será sempre do seu jeito
E nem eu e nem ninguém vai poder te ensinar isso

e se bater de frente você vai cair
o seu mundinho de ilusões irá ruir
O teu passado é tão frágil quanto você
suas histórias são um monte de mentiras
Vai se foder!

(26/12/2016)

Notas Antigas #06

Se alguém puder me ouvir, que me tire desse lugar
Os dias que se passam estão cada vez mais iguais
Meus pulmões não aguentam mais tragar desse ar

O chão sob os meus pés há muito desapareceu
Cada segundo que passa, me sufoco ainda mais
Como se o mundo lá em cima não fosse mais meu


Atire suas cordas, jogue tudo que puder (apenas peço que)
Puxe-me de volta para a vida que larguei (não tenho pressa mais)

Prometo a mim mesmo que desse poço escaparei

(19/12/2016)

Notas Antigas #05

Tristes aqueles que não podem ver
Além do que se diz nos jornais e na TV
Felizes aqueles que choram por sofrer
Hoje dói a dor de não sentir
Hoje me corrói a alma por ter que mentir

Tenho pena dos que nos machucam por prazer
Sinto a dor de mil almas agonizadas a gritar

O silencio machuca mais do que um fuzil
Minha musica vai bater como um punhal

E no final de tudo, meu amigo
Você vai perecer

(18/11/2016)

Notas Antigas #04

Eu sou aquele rascunho
Rabiscado e jogado em qualquer canto
Machucado e embriagado, um romance que perdeu o encanto

Sou aquela pessoa que sorri mesmo quando está perdido
Que se lembra exatamente do que já foi esquecido

Sou a criança que ralou os joelhos numa tentativa de ser feliz
De todos aqueles versos tristes e largados sou eu a matriz

E de tanto cair eu me cansei de levantar
Mas de que é feita a vida se não vale mais a pena tentar?

(05/11/2016)

Notas Antigas #02

Eu sou a ponte de transição entre dois mundos
Eu sou o presente que liga o passado ao futuro

Eu sou fechado demais
eu sou um livro aberto
“Por que não vais embora daqui?”
Dizem que me querem por perto

O que eu faço pra continuar vivendo?
Dizem que eu não sei escrever se não for falar de amor
Dizem que eu só sei expor meu lamento
Dizem o que eu não quero mais saber
Dizem o que me recuso a entender

Eu sou a droga que liga a zona sul à periferia
Eu sou o contraste entre seu carnaval e meu tango
Eu sou a água e eu sou o vinho
Eu sou a cicatriz e o espinho

(07/05/2016)

Notas antigas #01

Hoje a noite passou saltitando
eu me perguntei por que as coisas têm sempre que ser assim
Eu acordei de um pesadelo e me falta ar pra respirar

Não há como ficar confortável nessa maldita cidade
Não há amor entre as pessoas que hoje ousam se gabar
Que não não há mais tempo para procurar
O que você decidiu que se cansou de esperar

Sinto a dor de não poder mudar
São coisas que o coração deixou pra trás

Sinto que você me tomou o lar
É como o vento que ousa me tocar

E é por isso que eu repito num plágio de uma vida
Que após tanto tempo aprendendo, eu ainda não sei lidar.

(30/05/2013)

Between a date in the car and a Simple Plan concert

Sempre que eu procuro alguma forma de racionalizar o que aconteceu entre você e eu, parece que é uma daquelas decisões impossíveis de racionalizar – talvez fosse mais fácil se você apenas me dissesse sua versão das coisas. 

Eu me lembro que meu interesse era pequeno, eu estava desiludido, desinteressado, enterrado até o pescoço em um ciclo de autopiedade seguido de autodestruição e auto sabotagem. E você estava ali, era só uma notificação, que convenhamos, mesmo que se tratasse de um diálogo ainda mais longo do que eu mantinha com qualquer outra pessoa naqueles meses iniciais de 2018, ainda eram poucos minutos. Eu não queria conversar, eu talvez quisesse passar o tempo, mas eu não estava pronto pra me entregar pra você. 

Mas é pode ter sido na primeira vez que eu ouvi sua voz enquanto via seu rosto pessoalmente pela primeira vez – ao menos essa foi a versão que eu escolhi contar pra você e pra mim, e quem não gostaria? Parece tão romântico que dói. Mas o fato é que eu te vi entrar no meu carro e a gente foi até o cinema assistir um filme – que eu nem me lembro mais qual foi – mas ainda melhor do que o filme, foram aqueles sei lá, quarenta minutos (?) que a gente só conversou na praça de alimentação sobre o tudo e o nada antes do filme começar. E depois do filme uma surpresa um pouco menos romântica, mas como eu já deixei claro inúmeras vezes, meus interesses eram poucos, embora já estivessem grandes demais até para que eu percebesse, até porque se tratava das primeiras horas que eu te conheci. E aí veio o dia dia e em pouco tempo eu percebi o quanto eu amava estar perto daquela pessoa maravilhosa, que é até hoje a melhor pessoa que eu já conheci. E você retribuiu – já nem sei mais se retribuiu, mas quem é que pode mensurar ou mesmo compreender a intensidade dos sentimentos?

O tempo passou e eu vi em você uma casa, e eu construí ali tudo que eu precisava e que eu jamais teria descoberto antes em ninguém, muito menos em mim mesmo. 

Eu não percebi quando morreu em você, e eu continuei cada vez mais me comprometendo e prendendo meus alicerces em uma casa que pra você já tinha mais aparência de um daqueles hotéis que se passa não mais do que mais um fim de semana. Eu errei e eu sofri, e me dói muito tentar compreender o que aconteceu nesse tempo de desarmonia que foi tanta que eu mesmo não percebi a existência. 

E desde então, não existe um dia ou noite que eu não questiono suas razões ou o que eu fiz de errado. Eu nunca vou ser capaz de compreender como algo tão importante acabaria assim do nada. Mas não foi do nada, certo? Eu comecei tudo de uma forma desinteressada e escrevi um contro de fadas que talvez nunca tivesse existido e eu não consigo mais compreender que era só uma estória e não uma história. E eu sinto sua falta, assim como vou sentir até o fim dos meus dias. E tudo bem o fato de eu nunca compreender. Talvez fosse pra ser sentido o amor, da mesma forma que agora é pra sentir o luto eterno e a incerteza sobre o que foi tudo aquilo que aconteceu, especialmente naquele bizarro ano de 2018.