
Acordei com o sol invadindo minha sacada
Pra minha surpresa, o clarão não ardeu
O vazio, minha mais fiel companhia,
Cedeu o espaço pra você ocupar
E fazer de mim seu abrigo
Diálogos reais trouxeram a calmaria
Silenciaram-se as vozes da minha cabeça
O que era estática agora sintoniza sua frequência
Com clareza,
sem interferência,
sem fantasmas.
Meus braços, que antes expunham cicatrizes,
Como um museu de todas as quedas que sofri
Hoje são uma tela preta,
pra quem sabe, um dia desses,
Servir como seu ateliê,
Um lugar pra você se encaixar,
Que vá te trazer conforto
E pintar nossa conexão.
Pela primeira vez, o vampiro se ausentou
Espontaneamente, cedeu sua vez
Pra que eu pudesse enxergar por novas lentes
As mesmas que o tempo me trouxe
Mas que foi você quem me provocou a usar
Eu sei que cedo ou tarde ele vai voltar,
Mas me causa alívio saber que,
Apesar de ser grande parte de mim,
Não é tudo que eu sou
Eu já tinha as asas antes de saber,
Mas foi sua voz que me tirou o medo de saltar
Eu não mais temo o abismo
Ele foi tudo que eu conheci até aqui
Você me mostrou as coordenadas pra sair
Não quero promessas,
Não quero perfeição,
Não espero que embarque sem hesitar,
Nem que feche os olhos para me seguir.
Te convido para voarmos juntos,
Sem destino certo, sem bandeiras ou rótulos
Mergulhar entre as nuvens, ver as estrelas de perto
Sem hora pra partir, sem decidir sobre voltar
Nós dois sabemos que a queda é certa
Mas eu sei que a viagem vai valer mais a pena
Se você quiser vir me acompanhar
(09/10/2026)
