
A arte é sobrevida
daqueles sem vida.
Objetivos, metas e rotas.
Rupturas, obstáculos e inimizades.
O amor que havia ali
não existe mais.
Não existe procura
ou algo a encontrar.
Só o piloto automático
jamais desativado.
O prazer é utopia
sem ninguém perceber.
O caminho não se perde.
O destino é que se torna turvo.
A gente esquece o que procura
e esquece que a saída
é uma só.
Somos criaturas odiosas,
repugnantes, monstruosas,
escondendo nossos próprios demônios.
Diagnosticamos defeitos no cérebro
e remédios pra almas perdidas.
Hipnose, conformismo, aceitação.
Desistência, indiferença, exaustão.
Assim se pinta a maldição
de uma geração.
Intensa pra quem consegue, distante, ver.
Um fardo pra quem é incapaz
de evitar sentir.
Para quem faz da arte sua respiração,
que a ela se apegue
e a cuide bem.
A arte é o pequeno feixe de luz
em uma prisão fria e escura.
Demos graças à resistência da arte
pra nos manter entorpecidos.
A arte é sobrevida
mesmo sem nada pra viver.
(07/05/2026)









